31 de mar. de 2019

Ok, um diário da Costa Rica - A superação do medo

26 de Março de 2019

Impõe-se escrever um diário. Esta necessidade surge não porque tivesse planeado escrevê-lo ou porque tenha que ser assim mas porque o ócio desperta estas vontades. Felizmente, pela primeira vez em muito tempo ( será já o primeiro efeito desta viagem!? ) prefiro a escrita em detrimento do jogo de paciência no IPad.

Então, começando pelo princípio:
Há muito que se formava no meu espirito um desconforto com a minha vida ( boa! ), as minhas rotinas, as minhas relações de afecto, as minhas paixões, as minhas frustrações, o meu trabalho, a minha vida sem o Diogo, a minha dormência mental sem leitura, sem informação, sem interesses e sem sonhos. Uma dormência que me deixa desconfortável. Eu sei que ainda sou eu mas estava literalmente fora de mim, em espera.
Fui começando a anunciar que ia fazer retiros sozinha, sem contactos, por uns dias. Mas, quando chegava a hora, não me apetecia. A preguiça apodera-se do dormente com muita força e desenvolve-se uma grande capacidade para dar justificações para continuar dormente.
Por outro lado sempre tive curiosidade sobre a Costa Rica - porque dizem ser o paraíso, é um pais muitas vezes bem colocado no ranking dos mais felizes do mundo (!?), cujo lema de vida é algo indefinível para nós: PURA VIDA.


Nota: esta entrada do diário acabou aqui. Continuo ou concluo hoje, dia 31/3/2019, em mais um momento de ócio.

Ate chegar aqui houve muitas hesitações, muitos empurrões também, quer da parte do Diogo quer de amigos, mas principalmente da Carina, que Deus a abençoe. A vontade começou a avolumar-se e num dia de tristeza marquei a viagem e pronto, estava no ponto de não retorno. Agora era a hora de ter medo mas fazer na mesma.
Havia vozes a dizer vai e outras a dizer não vás. Havia preocupações genuínas e medos pessoais transpostos para mim. Mas eu estava decidida. Neste caminho até aqui eu, consciente ou inconscientemente, fui queimando pontos de fuga, pontes de retorno. 
Disse à mãe, que foi um momento fulcral. Procurei o apoio do Diogo, que é tāo importante para mim. Preparei a Nandita e cozinhei com ela planos da pólvora ( em segredo não abosluto ! ), pedi ajuda ao Neca para não ter que gastar todas as minhas férias. Claro que a primeira reacção dele foi a que eu esperava - disse que não e eu respeitei porque o conheço. Sabia que ele ia recusar, por preocupação por mim mas disfarçada de brio profissional. Com algumas visitas, muita insistência e uma cunha da Ana ele lá cedeu. Eu não tinha dúvida que ele passaria o atestado se eu fizesse uma das minhas e não tivesse outra saída. Mas a nossa relação é assim, ele é um excelente amigo que eu adoro até e principalmente pelas suas idiossincrasias.
Preparei-me financeiramente, comprei dólares ao pai da Carina, criei uma conta no revolut e mandei vir um cartão, paguei os cartões de crédito, enfim, paulatinamente estava a preparar-me. Faltava acertar com a Guida, que se prontificou a cuidar dos gatinhos. Ela é uma ajuda preciosa e sem ela seria muito mais difícil. Comprei um smart phone à mãe e levei dias a ensiná-la a usar o whatsapp. A minha mãe é maravilhosa, uma inspiração para mim e bastante responsável por este meu espírito livre. Aprendeu rápido e com determinação. Quis fazer segredo da minha viagem, chamou-me doida muitas vezes, pediu-me para não ir, recorreu ao Diogo mas no final confessou que estava orgulhosa e que só se preocupa porque os outros não me entendem. Tenho orgulho da minha mãe, ela é um pilar extraordinário na minha vida, a qual não imagino sem ela, que Deus a conserve com saúde e que quando tenha que ir que seja sem sofrimento. 

Depois foi marcar os hotéis e partir no mesmo dia em que o Diogo regressava a Munique - 25/3/2019 - e depois de um eanme das finanças a que não podia faltar (?)

La fui, na Swiss airlines rumo a Zurique para fazer escala e partir dia 26/3 para a minha aventura, para a minha viagem de superação pessoal - o tipo de viagem que só os bem alimentados fazem ( parafraseando Cleópatra, segundo Maria Isabel Lucas, minha mãe " só os bens alimentados podem gozar a vida)

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