4 de mar. de 2017

Lá fora nem sempre é bom

Convidámos vários amigos para um churrasco no Parque Verde. Estavam dias soalheiros, apetecia uma tardada lânguida, sobre uma manta, a olhar a corrente calma do Mondego e a mordiscar qualquer coisa enquanto se poderia "jogar conversa fora" com amigos e enquanto se bebia um bom vinho. Finalmente tínhamos encontrado no supermercado aqueles grelhadores descartáveis que os estrangeiros há muito usam para as suas churrascadas nos parques. Finalmente éramos modernos, yupiii!
Sabem quantas pessoas aceitaram o convite? Uma. Sim, apenas 1. A de sempre. O segundo elemento da nossa tribo, uma tribo de 3 com alguns elementos flutuantes mas que não se inscrevem, que nunca pagam as cotas, talvez porque não se identificam totalmente com o manifesto!
Não aceitaram porquê? Umas porque "ai que piroso", outras porque "ai que vergonha", outras porque "ai que seca", outras ainda porque "ai que desconfortável". Ai, ai, ai, como no poema dos Ais.
O que me parece é que alguns dos que recusaram poderiam muito bem, daqui a uns meses, estar a viver na Suiça, em França ou no Luxemburgo, a dizer que passam domingos maravilhosos junto aos lagos em parques repletos de gente a comer churrascos de salsichas, debaixo de um sol anémico que não aquece nem a alma nem o corpo.

Afinal quem é que não aproveita os parques? É Portugal ou os portugueses?
Fico horrorizada quando elogiam o facto de os Centros Comerciais estarem fechados porque assim a malta vai para o parque. Típico do cidadão dependente do estado paternalista para pensar e tomar decisões por ele. Já eu prefiro ter escolha e tomar as minhas próprias decisões. Se me apetecer ir ao Centro Comercial num domingo cheio de sol e passarinhos, quero ter o direito de fazer essa escolha.
Pergunto muitas vezes às pessoas se já viram esta ou aquela loja ou café novo na baixa da cidade. Normalmente respondem: "Eu?! Não vou à baixa hà anos. Onde é que estaciono?". Enfim, nem me alongo mais, isto cansa-me.

Entretanto, enquanto fazia uma pausa neste texto, aparece alguém que começa a dissertar sobre Portugal, a Suiça, os portugueses e a emigração. Fico espantada com o que podemos aprender com a experiência dos outros.
Quem fala é alguém que aparenta 40 anos, um português que emigrou para a Suiça com 21. Primeiro queixou-se dos contabilistas portugueses e depois generalizou: "os portugueses querem ganhar o dinheiro sem trabalhar". Tem uma empresa dde construcção que opera em ambos os países.
Não concordo com generalizações mas tento compreender o que quis dizer, que se cobram caro por um trabalho pouco profissinal, embora saibam que se emigrarem já não pode ser assim!
Continua com um discurso que me deixa boquiaberta, diz que a Suiça é o país mais pobre que conhece. Só tem vacas e bancos. Diz que os suíços que não trabalham na banca e afins têm que ser agricultores ou pedreiros, e não querem, claro. Diz que a Suiça tem muito dinheiro porque rouba muito a quem lá põe o dinheiro (80%!?). Explica, se alguém estrangeiro morre ou tem problemas na justiça ou não consegue de todo recuperar o dinheiro ou o estado fica com 80%!? Será??
Conclui, pode-se viver lá muito bem mas há que saber fazer as coisas!... Diz que os portugueses lá são escravos.
Não será tanto assim mas que é interessante ouvir uma nova perspectiva e de alguém que lá vive, isso é!

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