29 de mai. de 2020

Ok, um diário da Costa Rica - San Jose

27 de Março de 2019



Primeiro acordar em San Jose. Deitei-me cedo, por volta das 20.30/21 h, completamente exausta. Sentia-me desfalecer e mal conseguia falar. Chegara ao hotel Fleur de Lys depois de um vôo de 11 h 50 m, vinda de Zurique, confirmando a pontualidade relojoeira dos suíços. O vôo da Edelweiss durou exactamente 11 horas e 50 minutos, como previsto, pelo que chegámos exactamente às 18h 50m como previsto ! 
Da Suiça trago pequenas recordações: a coordenação perfeita do shuttle, grátis, para o hotel; as ruas incrivelmente limpas ( nem beatas no chão junto aos cinzeiros !! ); a organização espacial rectilínea; os carros grandes e brilhantes; as pessoas bem vestidas com roupas visivelmente caras mas cinzentonas e standardizadas; os espaços para fumadores abundantes, bonitos e limpos, patrocinados por marcas de tabaco; e claro a pontualidade chata !
Chegada ao aeroporto Juan Santamaria tudo correu bem apesar do controlo policial e aduaneiro a que, como europeia, não estou habituada.
Na rua um vento fresco apesar dos 27 graus e um caos de taxistas e pessoas.
Era suposto ter um taxista do hotel à minha espera, o Sr Julio Granados, mas com o cansaço e a impaciência não o encontrei. Entretanto vários taxistas oficiais ( cor de laranja ) e oficiosos ( vermelhos ) me assediaram. Acabei por ceder a um bastante pro-activo, mesmo sabendo que estava a ser enganada. 


Continuo este texto nove meses depois do regresso. Aproveito aquelas linhas mas já não tenho a memória fresca dos acontecimentos e por isso não o posso continuar como diário.

Continuo como um conto, com base nas sensações que me ficaram gravadas na pele mais que na memória.
A esta distancia dou muitas vezes por mim a perguntar-me porquê, porque é que fui àquela viagem, que me trouxe ou deixou ela.
Sinceramente nem sempre está claro. Não consigo acreditar que foi apenas um capricho e que não me acrescentou nada.
Claro, acredito que todas as viagens somam qualquer coisa ao nosso entendimento sobre a vida, sobre os outros que afinal são como nós em qualquer ponto do mundo. Mas esta soma não me chega. Gostava de sentir que foi uma multiplicação, um crescimento interior mais que somatório. 

Sobre esta viagem só algumas reflexões :

Vivemos num mundo ilusório, em que não existe uma realidades mas várias versões dela ou do que ela poderia ser, e nós adoptamos a que mais nos agrada.

Antes de viajar li sobre como a Costa Rica já foi considerada várias vezes o pais mais feliz do mundo. Eles próprios dizem que não é verdade. Sim, é verdade que não são muito dados a stress e que gozam a sua natureza de forma descomplicada. Acredito que não há problema que resista a um mergulho numa bela cascata de água fresca no meio duma floresta viva e cheia de energia mas daí a serem detentores do segredo da felicidade, não me pareceu.

Também li sobre a forma como tratavam os animais - que adoram os animais, que não há animais abandonados, que não há circos com animais, que não há jardins zoológicos. Tudo isto me atraiu especialmente, e principalmente a questão dos circos e dos zoológicos. Mas... não é bem assim. Realmente respeitam a natureza e especialmente os animais mas existem ainda jardins zoológicos e veem- se animais a deambular que se não estão abandonados também não estão muito melhor. É verdade que tem uma grande tolerância à vida selvagem e que vivem com ela em boa harmonia.

A ideia de paraíso na terra também não é totalmente verdade porque muitos dos que procuram o paraíso na verdade acabam por o destruir. A imagem mais impressionante (que muito incomoda os guias mais conscientes - é verdade que eles vivem do turismo mas têm consciência que ao nível que estava nessa altura estava a destruir o paraíso que o potenciou. O mais famoso parque natural - o Manuel Antonio - recebia na altura cerca de 2000 pessoas por dia. Apesar da grande extensão do parque a sensação era de estar sempre demasiado cheio. Os animais não tem paz. Animais selvagens já convivem com as pessoas com indiferença. Os macacos, os cappuccino, até exploram aquela convivência de forma inteligente embora anti-natural - pedem cómoda, fazem poses para fotos à espera de recompensas e até fazem esperas nos caminhos cientes de que os turistas vão achar piada. Claro que no meio de tanta existem sempre muitas pessoas que não respeitam o suposto estado selvagem e fazem as maiores barbaridades para poder tirar uma foto ou uma selfie
A belas praias desertas são alvo de predadores imobiliários que rapidamente transformam a beleza natural num projecto imobiliário para americano ver. As montanhas são retalhadas em resorts pontilhado com grandes vivendas do tipo americano num contraste chocante com a arquitectura do país. A agricultura autóctone começa a ser substuida por explorações intensivas de produtos para satisfazer um mercado mundial de consumista ávidos. O maior atentado que vi na zona sul foram kilómetros infindáveis de plantações de óleo de palma para as quais as populações olham com tristeza pois se por um lado representam trabalho e algum rendimento (que no entanto é apenas suficiente para sobreviverem e se manterem na pobreza) por outro representam uma espécie de desertificação uma vez que aquele ambiente de monocultura torna a zona quase estéril. Ali não nasce mais nada nem vivem animais - excepto os abutres !

To be continued...



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