Quarta-feira, Junho 03, 2009

"MODERN ART FOR DUMMIES"



O Diogo propôs que fossemos e todos alinharam com entusiasmo. As expectativas eram alatas. O fim-de-semana ia ser divertido, construtivo, "cool".
Casa à borla, entradas à borla, transporte partilhado, previsão de sol, jardins grandes, festa famosa e promovida por um dos agentes mais activos na divulgação da cultura no nosso país.

Chegámos um pouco tarde. o calor era muito mas o ânimo também.

Não vou fazer o diário do fim-de-semana porque não estou aqui para isso. Estou aqui porque este é o lugar onde tenho o direito e o prazer de me indignar.

O mérito da iniciativa é inquestionável. Parece que muitos dos países ditos civilizados têm destas iniciativas caridosas de dar cultura ao povo, em pequenas doses de toma anual, para que não comecem com ideias (as ideias são perigosas! Dizem, não sei!).  Para que o povo tenha consciência do quanto é ignorante importa que a escolha do programa mostre as enormes capacidades intelectuais, culturais e estéticas do director artístico, o quanto o Sr ou Sra Dr(a) é tão superior que merece todo o dinheiro que ganha (e que temos nós com isso? quem paga é a fundação...). Convém que se dê ao povo de uma penada só, em estilo compacto, o que de mais moderno ou pós-moderno se conhece no mundo artístico.

Eu assumo-me como uma ignorante letrada, que até andou na faculdade, fala línguas, viaja (pouco), convive com pessoas e lê uns livritos, foi a 2 ou 3 teatros, 1 ou 2 concertos, a meia dúzia de espectáculos de vários estilos, ouviu alguma música, e viu alguns filmes e documentários mas, que tendo nascido numa família de classe média trabalhadora não teve "berço" na cultura. Ainda assim, como muitos outros, não sei mais, não leio mais, não oiço mais e não vejo mais porque não posso. O porquê de não poder daria para mais um tratado (como diria a Catarina) que aqui e agora não interessa desenvolver. 
O que quero dizer é que, apesar disso, considero-me medianamente inteligente e sensível, e como tal arrogo-me o direito de ter opinião.

Serralves em festa 2009 foi uma desilusão.

É verdade que o espaço é maravilhoso, que o ambiente era óptimo e que havia uma oferta contínua de espectáculos. É verdade que havia coisas boas mas, no computo geral, senti-me ofendida.

Do ponto de vista da escolha dos grupos e artistas não duvido que tenham sido dos mais modernos que há mas tão modernos que muitas das músicas eram inaudíveis para a maioria dos comuns mortais que foram convocados; as danças modernas eram ininterpretáveis e maçadoras, sem graciosidade ou ritmo, as exposições eram na sua maioria ridículas, ao ponto de alguém dizer indignado "deviam ter distribuído à entrada o manual Modern Art for Dummies"

Talvez pelo preço - grátis - tenham respondido à chamada todo o tipo de ignorantes omo eu. Ouvi muitas exclamações do tipo "mas o que é isto? não percebi nada!".

Claro que houve muitas coisas boas: workshops para crianças, feira da ladra alternativa onde entre muitas vulgaridades se encontravam muito bons artesãos, tetaro de rua divertido e a Orquestra de Jazz de Matosinhos que nos premiou com muito bom Jazz - para eles um aplauso especial. Uma ou duas instalações muito interessantes e os quadro da Paula Rego são sempre bons de ver. Talvez tenham havido outras coisas boas de que não posso falar porque não tive tempo de ver.

Já do ponto de vista da organização: sofrível para não dizer má.
- faltavam sombras. Penso que uma boa organização se tinha precavido com estruturas temporárias para proteger artistas e público de um sol abrasador, não tendo assim que adiar ou cancelar espectáculos como fez.
- faltava sinalética e informação sobre os conteúdos dos espectáculos ou sobre o seu adiamento ou cancelamento. Bastavam alguns quadros grandes com o programa e mapas e informações de última hora e teriam evitado o desperdício enorme de papel com um programa mal explicado que muitos não chegaram a compreender.

to be continued..,..




Declaro abdicar temporariamente do direito à crítica


Não consultei os astros, os amigos abstiveram-se (!!?), a família votou contra e eu votei em branco...
Não sei que resultado teria isto em eleições mas por agora a resposta é NÃO.

Todos os argumentos a favor da candidatura à Junta de freguesia continuam válidos. Sei que me vou sentir muito mal comigo mesma por não aceitar o desafio e a oportunidade de fazer algo, de participar, de poder agir antes de criticar.
Mas, os argumentos contra falaram mais alto. O meu sábio de serviço, meu amor e meu marido, achou que não devia aceitar. Por um lado, a opinião dele é muito importante para mim e por outro, os argumentos dele são convincentes e eu partilho deles:
- a nossa vida acaba de sair de um período tumultuado e difícil, destrutivo e cansativo. Não sucumbimos porque temos o grande privilégio de ser um casal unido numa estrutura forte. Estamos a gozar dos primeiros tempos de descanso e realmente temos o direito (e o dever como casal) de parar e recuperar energia;
- temos projectos pessoais de vida que requerem uma dedicação muito forte e que não se compadecem com distracções
- embora continue a acreditar que no poder local o que contam são as pessoas, dou valor à congruência. Não é congruente dar a cara e lutar pelo projecto de um partido de cujos ideais não partilho e cujas opções até critico. Temo que mais cedo ou mais tarde o confronto ou a ruptura seriam inevitáveis.
- gosto de fazer o meu melhor pelos projectos a que me dedico com verdadeira convicção e talvez neste caso não estejam reunidas as condições para que isso acontecesse.
- pressinto que o sistema acaba sempre por esmagar até os melhor intencionados e isso seria frustrante

Quando disse a R. que a minha resposta era NÂO, ele não quis aceitar e propôs-me que continuasse como cabeça de lista, escolhesse para 3º da lista a pessoa que eu indicaria como bom presidente e depois abdicava a favor dele !!!!!
Se ainda haviam dúvidas no meu espírito, elas dissiparam-se perante esta proposta.
Aqui estava um exemplo dos caminhos tortuosos da pequena política, os desvios, os atalhos, as guinadas do caminho do poderzinho local: dar a cara e pedir que confiem em nós e logo no primeiro momento trair essa confiança.
Não é isso que procuro, não é isso que quero.

Vou ficar triste e quem sabe até arrepender-me mas vou continuar em busca de caminhos de serviço mais congruentes com as minhas convicções e com os meus valores.